Nossa vivência como psicoterapeutas…

27 ago

Neste dia do psicólogo convidei a Vanessa, minha amiga de longuíssima data que também compartilha da paixão e vocação desta profissão, para contarmos um pouquinho da nossa experiência destacando os benefícios que a terapia traz para aqueles que a procuram. É incrível como nos últimos anos nossa cultura se abriu para buscar na ciência da Psicologia recursos de enfrentamento emocional. No entanto, ainda é comum encontrarmos ao nosso redor alguma confusão sobre o que é e faz a psicoterapia e no que ela se difere da psiquiatria, do aconselhamento e de uma simples “conversa para desabafar” – frase esta que ouvi recentemente de um amigo que dizia o que era terapia para ele (e que por isso ele não via sentido procurar).

Contar aqui a nossa vivência dentro das quatro paredes de um consultório é também desmistificar um pouquinho mais esse tema. De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (resolução 010/2000), a psicoterapia “se realiza através da aplicação sistematizada e controlada de métodos e técnicas psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática e pela ética profissional, promovendo a saúde mental e propiciando condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos”.

Traduzindo um pouco esse conceito, eu, Mariana, costumo dizer para meus pacientes logo nas primeiras sessões que a psicoterapia é, em última instância, um processo de busca de uma maior qualidade de vida emocional. No mínimo, é autoconhecimento. A correria da vida de hoje promove muitas vezes desconexões de nós mesmos e a terapia nos ajuda a reconectar. É um tempo na semana que paramos para olhar para nós, ganharmos consciência de nossos pensamentos e sentimentos, nos aproximarmos de quem realmente somos e com a parceria de um profissional construirmos a pessoa que queremos ser, mais livres de traumas, sintomas e nós emocionais e mais aptos a lidar com nossas dificuldades. Aprendemos um olhar de cuidado e acolhimento com a gente mesmo, fazendo as pazes com aquilo que rejeitamos do nosso passado e deixando o futuro aonde ele deve estar. Aprendemos a assumir um protagonismo na vida, saindo do papel de vítima e responsabilizando-nos pelo que precisa.

Na minha vivência (Vanessa) ainda percebo que as pessoas que procuram ajuda profissional a fazem quando todos os outros recursos foram esgotados e quando já não sabem mais o que fazer. Acredito que esta “demora” até chegar a nós, dá-se, ainda, por preconceito (eu não estou ficando louco), desinformação (como uma pessoa que nunca me viu poderá numa simples conversa me ajudar?) e até mesmo medo. É o medo de abrir o meu mundo interior, que muitas vezes até eu mesmo desconheço, a alguém que nunca vi; reconhecer que estou passando por um período de sofrimento e que sozinho não dou mais conta; e um medo do que os outros vão pensar sobre mim, que sempre tão forte, estou sentado frente a frente com um psicoterapeuta. É nestas horas que, como psicóloga, me sustento nos versos de Carl G. Jung, que o principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece num equilíbrio entre alegria e dor. O sofrimento psicológico faz parte da vida e ignorá-lo seria negar a própria existência. Entrar num processo psicoterapêutico precisa de coragem e ousadia para se reconectar e se reconhecer, encarar a vida de frente e estar mais preparado para suportar conflitos (internos e externos), frustrações e ter disponibilidade interna para viver relações afetivas saudáveis.

Minha amiga Vanessa Cardoso é psicóloga, docente e pesquisadora em Psicologia. Especialista em terapia familiar sistêmica, mestre em psicologia pela UFSC e doutora em psicologia clínica e cultura pela UnB. Reside em Florianópolis e seu e-mail para contato é: vanessinhasc@gmail.com

Convite para a palestra sobre o meu livro neste sábado!

30 jul

Se você estiver em Brasília neste sábado, será um prazer recebê-lo na minha palestra sobre o livro que lancei no ano passado: Geração Canguru, Ninho Cheio: O filho adulto morando com os pais! Mais detalhes no convite abaixo e qualquer dúvida nos contatos: (61) 8349-6463 e marianagdf@yahoo.com.

Convite

O que você faria se não tivesse medo?

15 jul

Essa foi uma das perguntas que me deparei quando alguns anos atrás comecei a estudar sobre o processo de coaching. Dentro das ferramentas utilizadas pelo coaching existem as “perguntas poderosas” e o título deste post é considerado uma delas. “O que você faria se não tivesse medo?” Você já pensou sobre isso? Se em uma situação específica de sua vida, seja na área que for, onde você precisasse tomar uma decisão ou sair da sua zona de conforto, arriscar, dar um passo rumo ao desconhecido, o que você faria se o medo não fosse um dos componentes da química do momento? Interessante perceber o quanto o medo pode ser uma barreira na subida dos degraus da vida e da carreira, podendo até paralisar nosso potencial.

Um exemplo vivenciado por um dos meus clientes corporativos foi a decisão que ele precisava tomar em sua carreira que envolvia uma mudança de cidade com um deslocamento lateral na sua posição/cargo na empresa para só depois receber a promoção desejada. Quando lhe perguntei o que ele decidiria se não tivesse medo, a resposta de bate pronto foi: “eu iria”. Pudemos também pontuar no papel todos os medos relacionados ao fato de ele não conseguir decidir se iria ou não. E eu pude constatar na prática o quanto esta é de fato uma perguntinha poderosa.

Dizem que o maior medo do ser-humano é o medo da morte. Entre os dez maiores também estão o medo de falar em público, o medo de ficar sozinho, o medo de perder pessoas importantes. Você tem consciência sobre os seus medos e o quanto eles te paralisam ou impulsionam? Eu por exemplo morro de medo de avião. Mesmo meu marido trabalhando na aviação e usando todo o discurso e estatísticas para me mostrar o quanto é seguro, não diminui meu medo, apenas ajuda-me a enfrentá-lo. O fato de eu ter família em diferentes cidades e trabalhar como consultora organizacional onde a maior parte dos projetos envolvem treinamentos nas diversas sedes das empresas, fazem com que eu precise viajar muito. E eu tenho para mim que jamais me privarei de um trabalho ou passeio por não querer enfrentar o medo de voar. Então me preparo, encaro e vou. Não deixando o medo me dominar nem ficando à mercê dele, mas coloco-me no controle exercitando o domínio próprio.

Sem dúvida os medos são também uma reação protetora e saudável do ser-humano, necessários para não nos expôrmos a situações de risco real, no entanto, vale o ganho de auto-consciência para identificarmos tudo aquilo que não tem nos ajudado a chegar onde queremos e os medos muitas vezes ocupam, neste âmbito, infelizmente, o papel principal.

Aprendendo a dizer NÃO…

9 jun

O “não” já é por si só uma palavrinha intimidante. Dizem os pesquisadores que durante a infância para cada “sim” que recebemos de nossos pais , ou dos adultos que conosco convivem, recebemos outros quatro “nãos”. É desproporcional e na maior parte das vezes acabamos por criar e levar para a vida um conceito negativo do “não” (ainda que essa frase soe estranha, rs). No entanto, já é de senso comum que os “nãos” recebidos na infância são essenciais para nos deparar com os limites naturais da vida e permitir que aprendamos a lidar com as frustrações. Os estudos da depressão na vida adulta muitas vezes a associam com a falta de limites na infância e adolescência.

O “não” pode ser extremamente positivo e quase que fundamental para que possamos alcançar uma melhor qualidade de vida. Os especialistas da “Gestão de Tempo” nas empresas identificam que um dos maiores ladrões de tempo dos trabalhadores é a incapacidade de dizer não para pessoas e atividades que não estão relacionadas com os objetivos profissionais de cada um.

Parece que o medo de dizer “não” está associado com um medo de desagradar ao outro. Podemos até identificar que aquela atividade, aquele programa, passeio, reunião, e-mail, etc, não irá agregar, mas mesmo assim, passamos por cima de nós mesmos e dizemos “sim”, encaixamos em nossa agenda para manter nossa boa imagem para o outro. Assim, tiramos o foco de nossas prioridades, perdemos energia e deixamos de estar mais perto da onde queremos chegar, seja em qual área da vida for. Uma área interessante em que a dificuldade de dizer “não” aparece com muita frequência é a amorosa.

O desafio é ainda maior quando o “não” que precisamos dizer é para nós mesmos. Seja para um hábito maléfico, para uma determinada postura ou para um relacionamento destrutivo.

Precisamos aprender a ressignificar o “não” e torná-lo um aliado que otimize e potencialize nossas rotinas e relações.

Pensamentos Sabotadores

18 mai

Na semana passada ministrei um treinamento sobre liderança e um dos temas que mais marcou os participantes foi esse. Os pensamentos sabotadores são bem trabalhados no coaching e em um processo de psicoterapia, na medida em que a pessoa vai aumentando seu nível de autoconhecimento, facilmente eles aparecem. Esses dias meu marido iniciou um processo de reeducação alimentar com uma nutricionista e logo na primeira sessão ela deu a dica: “Cuidado com os pensamentos sabotadores”. É um tema que volta e meia aparece…

Pensamentos sabotadores são aqueles pensamentos que, mesmo sem percebermos, impedem a gente de avançar na direção de algo melhor; seja uma mudança de hábito, uma conquista, uma meta. Por exemplo aqueles típicos: “eu não sou capaz de…”, “agora é tarde para…”, isso não é pra mim”, “sou assim mesmo não vou mudar”, “se eu tivesse dinheiro eu faria diferente”, “não sou tão bom quanto…” e tantos outros cheios de crenças capazes de limitar o nosso potencial.

É como a famosa história do elefante amarrado desde pequeno na cordinha. Ele tenta se soltar 1, 2, 3 vezes e não consegue, parando assim de tentar. Quando adulto, com toda a força que possui, se for amarrado à corda permanece obediente, sem tentar se soltar, pois aprendeu um dia quando pequeno que não conseguia.

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Os pensamentos sabotadores são crenças que aprendemos no passado e se enraízam na nossa mente. Não temos consciência deles mas eles têm um poder imenso sobre nós. Se levarmos em conta que nossos pensamentos influenciam também aquilo que sentimos, isso se torna ainda mais relevante. Sentimentos de baixa autoestima, desmotivação, falta de autoconfiança e coragem podem existir também em decorrência da existência de pensamentos sabotadores. Nossos pensamentos revelam muito sobre quem somos.

Para transformar os pensamentos sabotadores é preciso primeiro ganhar consciência deles. Na clínica utilizo uma ferramenta que chamo de gráfico de pensamentos. É como se fosse um diário dos pensamentos, ajudando o paciente a estar consciente do que passa pela sua mente ao longo de um dia. Muitas vezes traz insights significativos para o processo e ajuda a identificar os lixos mentais.

Gosto muito da metáfora de nossa mente como um jardim que precisa ser cultivado. Nós somos os jardineiros… as ervas daninhas, os pensamentos sabotadores e o que torna o jardim bonito é justamente aquilo capaz de trazer saúde para nossa mente.

Aprender a dominar um pouco mais nossos pensamentos é uma das formas de passar pelo processo de alfabetização emocional.

“Não podemos impedir que os pássaros voem sobre a nossa cabeça, mas podemos impedir que eles façam ninho.”  Lutero.

 

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Ainda sobre o tema MUDANÇAS…

6 abr

Ainda sobre o tema MUDANÇAS...

Na semana que passou atendi dois pacientes específicos que retroalimentaram em mim a reflexão sobre esse tema. Um deles está em processo comigo há menos de um ano e o outro há mais de dois. O que me chama a atenção nos dois casos é a profundidade com que ambos mergulharam no seu processo de autoconhecimento e o impacto positivo que as consequentes mudanças têm gerado nas suas vidas. Cada um no seu timing (e precisa ser). Não que isso não seja frequente dentro das quatro paredes de um consultório psicológico, ainda que seja possível não ser, mas sou eu que, graças a Deus, continuo, mesmo depois de tantos anos trabalhando nessa área, maravilhando-me com a capacidade de mudança e superação do ser-humano.
Mas tem gente que não acredita que as pessoas mudam. Eu mesma conheço alguns que são quase que radicalmente céticos em relação ao processo de mudança e melhoria do ser-humano. E de fato, naturalmente vivendo, dia após dia, muito provável que não nos tornemos pessoas melhores mesmo. São muitas as distrações capazes de nos tirar do caminho do crescimento e do desenvolvimento pessoal. Todas elas atraem nossa atenção para o mundo externo, desconectando-nos de nós mesmos, de nosso interior, de nossa identidade, mantendo-nos na zona de conforto da imaturidade. Para que o processo de mudança aconteça, e reforço a palavra PROCESSO, existe um diferencial, algo que sem ele jamais alguém será capaz de mudar, de lançar mão de um velho e destrutivo hábito em busca de uma vida com mais qualidade. Para que o processo de mudança aconteça existe um primeiro imenso passo e ele só pode ser dado por aquele que é o potencial agente de mudança: o desejo de mudar. O “simples” fato de querer mudar é o diferencial no processo. A livre vontade, o famoso livre arbítrio. Sem ele, ninguém muda. Para tanto, é mais do que necessário o envolvimento de um esforço consciente na direção do querer e da consequente mudança. É esse o caminho mais eficaz e duradouro, ou pelo menos o início dele. Esse caminho passa necessariamente pelo mundo interno, pela conexão com nosso verdadeiro eu e não com a imagem daquilo que gostaríamos de ser. É lá no íntimo que encontramos, no mínimo, todos os recursos que precisamos para o processo de lapidação e, no máximo, encontramos uma força maior capaz de potencializar este processo, a força da fé, da espiritualidade, de um Deus bom. Claro que ser psicóloga e presenciar tantos casos assim ajudam a acreditar no processo de mudança do ser-humano… Não é a toa que amo meu trabalho e que me sinto privilegiada em assistir de camarote e fazer parte de processos assim.

Mudanças…

29 mar

Faz pouco mais de um ano que comecei a escrever o blog. Ele nasceu como parte de um projeto de carreira e na época eu caminhava na direção de ser uma profissional liberal. Meu consultório ia de vento em popa, os clientes de coaching se multiplicavam e tinha acabado de firmar parceria com três consultorias na área de T&D. Mas logo no primeiro mês do ano e dias depois de lançar o blog: mudanças… recebi uma proposta irrecusável de ingressar o time de Recursos Humanos de uma das maiores companhias de bebidas do mundo e para trabalhar justamente na área que sou apaixonada: treinamento e desenvolvimento humano e organizacional. O ano não passou, voou, mas o projeto do blog fez somente seus primeiros voos. Em setembro casei-me e vieram mais mudanças… não apenas as básicas relacionadas ao casamento mas também a transferência de meu marido de São Paulo para sua cidade natal, Brasília. Mais mudanças… de cidade para ele e, seis meses depois, também para mim. Após um ano puxadíssimo, realizando sonhos profissionais e pessoais, comecei a fechar o ciclo São Paulo e colocar energia no ciclo Brasília. Era o momento de deixar essas conquistas para trás e ir atrás do que me aguardava na capital federal. E é como eu sempre digo…  esse negócio de abrir-se e investir “energia” (ou seja: tempo, dedicação, fé, ir inteira, de cabeça, com gratidão) realmente funciona!! Oportunidades já começaram a aparecer antes mesmo da minha mudança. Em parceria com o Instituto Mazini comecei ainda em 2013 a atuar com Coaching e Treinamento em grandes empresas aqui em Brasília, onde continuo desde então. Coincidência ou não, o tema que mais tem me chamado a atenção no meio corporativo brasiliense é justamente este: Mudanças. O ritmo acelerado com que as mudanças acontecem nas empresas não é exclusivo de cidades como São Paulo, mas sim faz parte do contexto de um mundo globalizado, tecnológico e altamente competitivo. Hoje você é coordenador de uma área e amanhã de outra. Sua baia hoje é aqui e amanhã ali. Um dia seu chefe é o João e no dia seguinte, o Pedro. Num dia seu turno é de noite e no outro de manhã. Num dia seu par é seu par e no outro se torna seu gerente. Num dia sua empresa pertence ao grupo x e no outro ao y.  Cabe a mim e a você construirmos recursos internos capazes de nos adaptar a um mundo constantemente mutável, desenvolvermos resiliência e outras competências que nos tornem mais camaleões e menos frágeis em contextos assim. Mudanças para mim são desafios e naturalmente me motivam e energizam a ir com mais força em busca do que eu quero, fazer o meu trabalho bem feito e continuar ressignificando cada vez de forma mais positiva minha vida, minha carreira.

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