Empatia – Uma competência (não tão) básica para as relações

19 Jan

No ano passado, quando ministrava um curso em um órgão aqui em Brasília, um questionamento feito por um dos participantes me surpreendeu. Era o momento em que eu explicava o conceito de empatia, linkando-o com o tema do curso, que envolvia falarmos de relacionamento interpessoal e conflitos.

O participante expressou-se de forma enfática, afirmando que nunca tinha ouvido aquele conceito antes. Ele defendia que empatia era sinônimo de simpatia e que, para ele, seria empática aquela pessoa que fosse simpática, atenciosa, alegre e positiva com o outro. Voltei o questionamento para o restante da turma a fim de checar o que eles sabiam sobre o conceito… e qual não foi a minha surpresa quando os poucos que manifestaram saber definiram-na do mesmo modo que o primeiro participante. Naquele momento paramos um instante o seguimento do curso para atender a demanda que surgia, refletindo sobre o real conceito de empatia e a sua importância nas relações.

Empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar de um outro e compreendermos seus sentimentos, suas motivações, suas ações, seus pontos de vista. Theresa Wiseman, pesquisadora na área da enfermagem, descreve 4 características de uma pessoa empática: ela é hábil em entender a perspectiva dos outros, ela reconhece a perspectiva deles como verdade (não A Verdade), ela não julga e ela reconhece emoção em outras pessoas e comunica isso. Não é fácil. Exige estar consciente na relação e disponível emocionalmente para ela.

Empatia é sentir com as pessoas. Porém, para eu conseguir sentir com o outro o sentimento dele, preciso acessar e reconhecer esse mesmo sentimento dentro de mim. E as vezes não queremos isso, pode ser incômodo… e até doer. Outras vezes, nos colocarmos no lugar do outro e compreendê-lo pode nos levar a abrir mão das nossas verdades sobre aquela situação discutida. O orgulho pode não deixar a empatia fluir.

Atendendo casais em consultório posso perceber o quanto esta competência está em falta e o quanto a sua construção está diretamente relacionada com uma melhora na qualidade das relações conjugais.

Acredito fortemente que as relações ruins podem ser ressignificadas quando a empatia entra. Ela é capaz de gerar conexão real entre as pessoas. É um processo que começa no reconhecer e no querer.

A verdade é que a empatia gera compreensão. Compreensão gera compaixão e enxergarmos o outro como ele verdadeiramente é, além de suas defesas e barreiras. E isto, por sua vez, gera amor.

 

Tudo é uma questão de escolhas?

5 Jan

No final do ano passado (novembro, 2015) finalizei em parceria com uma consultoria multinacional mais uma etapa de um programa de desenvolvimento de líderes de uma grande empresa. Foram 10 (dez) meses entre o desenvolvimento e a implantação do programa. Na fase de desenvolvimento, fui a Portugal fazer toda a exploração e estudo de conteúdo junto à equipe de lá.

O programa foi traduzido em 4 (quatro) módulos de treinamento com conteúdos diferentes e em coachings de grupo realizados após os módulos. A execução dos treinamentos foi centralizada em uma cidade no estado de São Paulo em que aconteceram 17 (dezessete) turmas de líderes, das quais eu ministrei 10 (dez). Realizamos os grupos de coaching em nove cidades do Brasil, totalizando 37 grupos. Foram aproximadamente 350 líderes, de coordenadores a diretores, treinados neste ano (apenas nesta empresa!). E sem dúvidas, para mim, muitos ricos aprendizados.

Sou apaixonada pela área de desenvolvimento humano, seja dentro de uma empresa ou dentro de um consultório e hoje minhas escolhas profissionais têm sido nesta direção. Acredito ser essa a minha missão divina na terra: ajudar as pessoas a serem pessoas melhores (profissionais melhores, líderes melhores, pais melhores, filhos melhores, cônjuges melhores, etc). Além disso, sou apaixonada pelo processo de ensino e aprendizagem, principalmente a aprendizagem de adultos, mais conhecida como andragogia. É ela que norteia todos os treinamentos que ministro. Tenho convicção de que trabalhar em parceria com a empresa e gostar do que fazemos são os principais requisitos para o sucesso. Quando gostamos, fazemos inteiramente, de cabeça, corpo e coração. E assim foi o feedback recebido pelos participantes deste programa: sucesso. A nota final do programa obtida nas avaliações de reação foi em torno de 9,6!

Olhando para o ano que passou e fazendo uma breve análise de tudo que realizamos neste projeto, além do sentimento de realização, o que fica mais forte para mim é também o que ficou mais forte para os participantes: tudo é uma questão de escolha. Dentre os mais de 10 (dez) temas que abordamos nos módulos (como por exemplo: autoconhecimento, motivação, gestão de stress, comunicação, trabalho em equipe, gestão de conflitos, coaching, liderança, etc), o tema que mais marcou, quase com unanimidade, foi esse. Através de uma dinâmica poderosa trabalhamos o quanto tudo que fazemos na vida e no trabalho é uma questão de escolhas e assim temos a possibilidade de nos posicionarmos de duas formas: como vítimas (atribuindo culpa ao externo por tudo que acontece conosco) ou como protagonistas (assumindo a responsabilidade pela nossa vida, trazendo o lócus de controle pra dentro de nós).

É neste sentimento e, principalmente, nesta ATITUDE que escolho começar este ano. Os desafios já estão aí… e graças a Deus por eles!

Estando consciente das minhas escolhas, posso continuar influenciando os outros a estarem também das suas.

Prossigamos…

Um feliz, produtivo e abençoado 2016 para todos nós!

 

 

 

 

 

 

Como vai sua carreira?

23 Ago

A cada ano que passa tenho percebido o quanto a demanda por coaching de carreira tem aumentado. Aqui em Brasília mesmo, 90% das pessoas que me procuraram neste último ano para fazer coaching tinham como objetivo pensar sobre sua carreira e traçar novos planos. E preocupações comuns e recorrentes nestas pessoas são as interrupções ou desvios de rotas do caminho… Por exemplo o desejo de mudar a área de atuação, o início de uma nova faculdade ou pós que [aparentemente] nada tenha a ver com o trabalho atual, um deslocamento lateral em uma empresa ao invés de uma subida de cargo, uma licença maternidade, o investimento em um tempo de estudo no exterior, a transição de uma carreira executiva para a abertura do negócio próprio, a exoneração de um cargo público para descobrir o que realmente gosta, a demissão de um cargo privado para estudar para concurso. E esses são apenas alguns dos exemplos que tenho ouvido de meus clientes ultimamente.

A raiz dessas pré-ocupações é a crença (consciente ou não) de que a carreira deveria ser algo linear, iniciado no momento da graduação superior e que fosse crescendo de forma ascendente. No entanto, o que se tem observado nos últimos anos é que, de forma geral, para ser bem sucedida, uma carreira não necessariamente precisaria avançar de tal modo que a cada nova etapa precisaríamos estar em um degrau mais alto. O melhor exemplo sobre isso li no livro “Faça Acontecer” da alta executiva do Facebook, Sheryl Sandberg. Ela coloca o quanto o desenvolvimento da carreira hoje pode assemelhar-se mais a um “trepa-trepa” do que a uma “escada”. Na escada, só subimos linearmente. No trepa-trepa, ou seja, naquele brinquedo que costuma ter nos parques, para se chegar ao topo são várias as possibilidades: andar de lado, descer, subir, descer de novo, ir para o outro lado…

A escada seria o modelo de carreira mais comum nas gerações passadas. O trepa-trepa é o modelo que as gerações presentes estão aprendendo a caminhar.

Fazer uma pausa, mudar de rota, retroceder, “voltar a estaca zero” não são necessariamente sinais de fracasso. Pelo contrário, são oportunidades de você adquirir um número maior de experiências variadas e que serão de uma forma ou de outra utilizadas depois. São oportunidades de adquirir mais maturidade, resiliência, ganhar uma convicção maior do que se quer para, então, investir um nível ainda mais alto de energia consciente na sua carreira.

O mais importante nesta caminhada é saber aonde se quer chegar e ter muito claro qual é o conceito de sucesso para você.

Prossigamos…

Fazendo a gestão das mudanças…

14 Jun

Faz quase 5 meses que não publico aqui no blog… Alguns amigos me cobrando e eu tentando colocar limites na correria do dia a dia a fim de voltar a priorizar algo de que tanto gosto: parar para escrever. Se bem que ultimamente o que mais tenho feito é escrever… artigos, textos, trabalhos e mais artigos… final de semestre no doutorado é assim… Mas escrever o que vem do coração é diferente…

Amanhã inicio em parceria com o Instituto Mazini mais um programa de desenvolvimento de líderes em uma grande empresa aqui em Brasília. E sendo convidada para iniciar o programa com o tema: “Mudanças Organizacionais”, tenho pensado, lido, relido e pesquisado muito conteúdo a este respeito… E parte dele é o que pretendo compartilhar aqui hoje…

Mudar significa sair da zona de conforto, passar pela zona da tensão e do desconforto e alcançar a zona da oportunidade, onde a mudança é possível. Mudar é aceitar sugestões, que algumas vezes contrariam o nosso ponto de vista. E no dia a dia das empresas, as mudanças têm se tornado cada vez mais necessárias – mas nem sempre aceitas por todos os colaboradores. Dentro de uma organização, uma mudança – seja ela tecnológica, estrutural ou cultural – pode significar oportunidade, processo, crescimento.

Muitas vezes, para os colaboradores, a mudança dentro de uma organização pode representar uma ameaça. Isso porque na maior parte dos casos esses colaboradores não participaram ativamente do processo decisório e da construção da mudança e acabam não a compreendendo completamente.

O papel do gestor ocupa lugar central na gestão das mudanças. O gestor deve saber qual a mudança que precisa efetuar e acreditar nela. Outra característica fundamental é a capacidade de empatia. Compreender as dificuldades reais dos envolvidos e também as inseguranças que uma mudança causa, faz parte do processo de transformação de uma empresa.

A busca do autodesenvolvimento é também foco de discussão entre os grandes tomadores de decisão. Na sociedade atual, autodesenvolvimento assumiu uma grande importância. Ser capaz de conduzir sua própria evolução é uma das competências desejadas para o profissional do século XXI, pois lhe permite responder rapidamente às mudanças tão aceleradas de agora, superando desafios, obtendo sucesso e resultados.

Chamo gestor/gestora de mudança aquelas pessoas que vivem a gestão da mudança em suas vidas e, mais do que isso, são exemplos da mudança que gostariam de ver no mundo. Ter profissionais preparados para atuar com esse foco nas organizações é vital.

Autodesenvolvimento significa ampliar capacidades ou possibilidades, isto é, reconhecer o potencial individual e colocá-lo em prática. Em certo sentido, autodesenvolvimento é a própria mudança.

Reflexões com base em trechos extraídos do livro: “A transição na Gestão de Mudança” (Katia Soares) e do artigo “Mudanças organizacionais” (Harvard Business Review).

A importância das pausas

9 Jan

Estamos em uma época do ano em que naturalmente as “pausas” são previstas. É a pausa do trabalho, recessos, férias coletivas, etc. No entanto, nem sempre elas vêm acompanhadas de uma pausa real. São inúmeros os compromissos familiares, viagens, passeios, festas, levando-nos muitas vezes a um estado de agitação que nos impede de parar. Ano após ano, quando retomamos os trabalhos após o período de festas, percebo em meus clientes e pacientes um cansaço pós “pausa”. Cansaço emocional, devido ao grande contato com ambientes fora da rotina e a maior exposição aos relacionamentos e muitas vezes cansaço físico também. Não que este período precise obrigatoriamente ser de uma pausa real, integral. O descanso mental que ocorre entre estes outros cansaços é muito válido e saudável. Porém, é importante que pelo menos uma vez ao ano uma pausa real seja vivenciada. Uma pausa capaz de nos levar a um contato maior com nós mesmos, com nosso propósito de vida, nossos objetivos, capaz de resgatar nossos sonhos e promover uma auto avaliação sobre em que ponto estamos em relação a onde queremos chegar. Repensarmos o que falta para chegar lá e para sermos quem queremos ser. Uma pausa quase meditativa, capaz de trazer gratidão sobre aquilo que temos alcançado, sobre as pessoas que entraram em nossas vidas e sobre aquelas que têm permanecido. Não é à toa que o período sabático tem se tornado cada vez mais popular entre os grandes executivos. Existe um valor no silêncio, na solitude, na meditação, ainda carente de ser explorado. A música só acontece porque nela existe a pausa. Já pensou?
Que este novo ano traga mais momentos de pausas reais, reflexivas e transformadoras, para todos nós que desejamos ser tudo aquilo que podemos ser.

Nossa vivência como psicoterapeutas…

27 Ago

Neste dia do psicólogo convidei a Vanessa, minha amiga de longuíssima data que também compartilha da paixão e vocação desta profissão, para contarmos um pouquinho da nossa experiência destacando os benefícios que a terapia traz para aqueles que a procuram. É incrível como nos últimos anos nossa cultura se abriu para buscar na ciência da Psicologia recursos de enfrentamento emocional. No entanto, ainda é comum encontrarmos ao nosso redor alguma confusão sobre o que é e faz a psicoterapia e no que ela se difere da psiquiatria, do aconselhamento e de uma simples “conversa para desabafar” – frase esta que ouvi recentemente de um amigo que dizia o que era terapia para ele (e que por isso ele não via sentido procurar).

Contar aqui a nossa vivência dentro das quatro paredes de um consultório é também desmistificar um pouquinho mais esse tema. De acordo com o Conselho Federal de Psicologia (resolução 010/2000), a psicoterapia “se realiza através da aplicação sistematizada e controlada de métodos e técnicas psicológicas reconhecidos pela ciência, pela prática e pela ética profissional, promovendo a saúde mental e propiciando condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos”.

Traduzindo um pouco esse conceito, eu, Mariana, costumo dizer para meus pacientes logo nas primeiras sessões que a psicoterapia é, em última instância, um processo de busca de uma maior qualidade de vida emocional. No mínimo, é autoconhecimento. A correria da vida de hoje promove muitas vezes desconexões de nós mesmos e a terapia nos ajuda a reconectar. É um tempo na semana que paramos para olhar para nós, ganharmos consciência de nossos pensamentos e sentimentos, nos aproximarmos de quem realmente somos e com a parceria de um profissional construirmos a pessoa que queremos ser, mais livres de traumas, sintomas e nós emocionais e mais aptos a lidar com nossas dificuldades. Aprendemos um olhar de cuidado e acolhimento com a gente mesmo, fazendo as pazes com aquilo que rejeitamos do nosso passado e deixando o futuro aonde ele deve estar. Aprendemos a assumir um protagonismo na vida, saindo do papel de vítima e responsabilizando-nos pelo que precisa.

Na minha vivência (Vanessa) ainda percebo que as pessoas que procuram ajuda profissional a fazem quando todos os outros recursos foram esgotados e quando já não sabem mais o que fazer. Acredito que esta “demora” até chegar a nós, dá-se, ainda, por preconceito (eu não estou ficando louco), desinformação (como uma pessoa que nunca me viu poderá numa simples conversa me ajudar?) e até mesmo medo. É o medo de abrir o meu mundo interior, que muitas vezes até eu mesmo desconheço, a alguém que nunca vi; reconhecer que estou passando por um período de sofrimento e que sozinho não dou mais conta; e um medo do que os outros vão pensar sobre mim, que sempre tão forte, estou sentado frente a frente com um psicoterapeuta. É nestas horas que, como psicóloga, me sustento nos versos de Carl G. Jung, que o principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece num equilíbrio entre alegria e dor. O sofrimento psicológico faz parte da vida e ignorá-lo seria negar a própria existência. Entrar num processo psicoterapêutico precisa de coragem e ousadia para se reconectar e se reconhecer, encarar a vida de frente e estar mais preparado para suportar conflitos (internos e externos), frustrações e ter disponibilidade interna para viver relações afetivas saudáveis.

Minha amiga Vanessa Cardoso é psicóloga, docente e pesquisadora em Psicologia. Especialista em terapia familiar sistêmica, mestre em psicologia pela UFSC e doutora em psicologia clínica e cultura pela UnB. Reside em Florianópolis e seu e-mail para contato é: vanessinhasc@gmail.com

Convite para a palestra sobre o meu livro neste sábado!

30 Jul

Se você estiver em Brasília neste sábado, será um prazer recebê-lo na minha palestra sobre o livro que lancei no ano passado: Geração Canguru, Ninho Cheio: O filho adulto morando com os pais! Mais detalhes no convite abaixo e qualquer dúvida nos contatos: (61) 8349-6463 e marianagdf@yahoo.com.

Convite

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 52 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: