Solitude X Solidão

21 fev

Ontem ministrei uma palestra aqui em Brasília sobre o tema da solitude. Foi um momento para refletirmos sobre como ela pode ser uma estratégia de autocuidado, principalmente para aqueles profissionais que possuem o cuidado do outro como essência do seu trabalho. Psicólogos, médicos, enfermeiros, conselheiros, professores, padres, pastores, muitas vezes têm o cuidado de si negligenciado. Investir na solitude pode ser uma forma de aliviar as tensões do dia a dia e garantir uma maior qualidade de vida emocional.

Mas o que é “solitude”? No que ela difere da solidão?

Solitude é o momento de silêncio e privacidade voluntários onde você consegue um estado de conexão consigo mesmo. É o momento de fazer uma pausa no dia, na semana, no mês, na vida (por exemplo os períodos sabáticos cada vez mais comuns entre executivos e líderes religiosos), diminuir o ritmo interno, para se reconectar consigo. Ela difere da solidão, que é o sentir-se só estando sozinho ou mesmo acompanhado. Na solitude, estamos sozinhos, mas acompanhados de nós mesmos. Os sentimentos também diferem. A solidão é triste, negativa, a solitude é revigorante. O processo de aprender a nos relacionar conosco mesmo é gratificante por si só, gera descobertas, autoestima, e nos aproxima da nossa identidade. Pesquisadores da USP têm estudado a solitude e identificado esses benefícios.

O mundo de hoje atrai nossa atenção para tudo que é externo a nós. Na mesma medida em que estamos conectados com as agendas lotadas, tecnologias, redes sociais, aplicativos, etc, estamos desconectados de nós mesmos. A solitude permite parar para voltar ao nosso centro. Uma vez conheci uma pessoa da área da tecnologia que disse que nos finais de semana tudo que ela queria era ficar longe, desapegar, de qualquer aparelho. Ela dizia precisar disso.

Abaixo compartilho, como prometi na palestra de ontem, um texto que escrevi há anos atrás, como fruto do meu próprio processo de solitude. Hoje, esse processo se tornou essencial para que eu possa estar inteira em tudo que faço.

Minha Solitude

Solitude é reencontro. Dolorido no início, mas vital. Vital se desejamos não apenas existir, mas viver. Dolorido porque nos leva a encarar aquilo que, se pudermos, evitaremos uma vida inteira.

Solitude é conexão. Em um mundo que o tempo inteiro nos dispersa, atrai nossos sentidos e nos desconecta de nós mesmos.

Solitude é resgate de essência. E uma essência que às vezes nem sabemos qual é, e que precisa ser antes despertada e construída para então, nas solitudes, resgatada.

Solitude é autoconhecimento. É ganhar consciência sobre o que existe de mais íntimo dentro de mim. É descobrir quem sou por mim mesma e não por aquilo que esperam que eu seja. É olhar para mim além dos papéis que desempenho na vida. Solitude é identidade.

Na solitude acontece o revelar do meu oculto. O reconhecer do meu lado sombra, tornando-me livre para dele desembaraçar-me.  

Dizem que a vida passa numa fração de segundos. Se assim for, solitude é remir o tempo. E isto porque desenvolve em mim uma visão mais aguçada da vida e do seu sentido, permitindo uma maior sintonia entre meus dons, talentos e o mundo. 

Solitude é antes de tudo: ser. Ser humano. Ser real e não ideal.

Solitude é silêncio. Ficar a sós comigo mesma ouvindo somente o barulho de dentro.

Solitude é desapego. De expectativas, de ilusões, de garantias.

Solitude é auto-estima. Certificando-me de que posso ser a melhor companhia para mim mesma quando aprendo a olhar-me pelos olhos do meu Criador.

Solitude é paz. A tão desejada e mercadologicamente buscada, paz de espírito. Quando, de mãos dadas com minhas dores, fraquezas, medos e angústias, eu simplesmente prossigo.

Solitude é, em última análise, um caminho para melhor compreender os evangelhos. Ele, que nos motiva a olhar para dentro de nós, para então melhor perceber e amar o próximo.

Na vida nos perdemos o tempo todo… de nós mesmos. Partes de nós vão ficando nos caminhos que cruzamos, nas situações que vivemos, nas pessoas que nos relacionamos. A solitude é uma benção porque nos permite essa volta para o centro de nosso verdadeiro eu.

A minha solitude é reencontro. Reencontro comigo e com o Aba. Reencontro que me capacita a cumprir meu nobre chamado. Reencontro que me capacita a estar inteira em tudo que faço, a amar e a viver.

Aprender a transformar a solidão em solitude é um processo que ajuda a viver de forma mais plena.

Saindo da casa dos pais

12 fev
O post de hoje é motivado por sessões recentes que vivenciei no consultório. Alguns pacientes/clientes adultos estão justamente nesse momento de sair da casa dos pais para morar sozinhos. Esse é um momento que, se experimentado de forma consciente e reflexiva, pode trazer aprendizados significativos para a vida. Aprender a administrar uma casa e todo pacote que vem junto, emoções inclusive, aprender a administrar a própria solidão, transformando-a em solitude, pode ser mais gratificante do que a própria ansiedade gerada no processo.

Compartilho um trecho do meu livro*, publicado em 2013 pela editora NVersus, que fala um pouco desse momento….

“Podemos pensar que uma forma adequada de vivenciar o desligamento da família de origem não é afastando-se emocionalmente, mas sim renegociando as relações familiares originais. Isso significa que tanto os pais quanto os filhos precisam aprender a colocar limites nas interferências do outro, sem ficar à mercê de sentimentos de culpa. É cortar o “cordão umbilical emocional” mantendo a liberdade de ir e vir. Para Carter e McGoldrick (2001), os filhos devem ser capazes de escolher emocionalmente o que levarão da família de origem, o que deixarão para trás e o que irão construir sozinhos.

Muitos filhos saem da casa dos pais, mas a casa dos pais não sai deles. Continuam de alguma forma vinculados ao lar parental. Em relação às tarefas domésticas, por exemplo, lavam a roupa na casa dos pais, almoçam, utilizam a mesma diarista, trazem comida congelada da mãe. Acabam dessa forma diminuindo as responsabilidades sobre o novo lar e sobre si mesmos, além de possibilitarem aos pais a manutenção de um monitoramento sobre eles. Estas situações podem dificultar o estabelecimento de limites saudáveis nas relações e as necessárias ressignificações do papel da parentalidade, ou seja, do que significa ser pai e mãe de um filho adulto. Aprender a equilibrar todas essas demandas faz parte de uma vida adulta saudável.

Administrar sua própria casa depois que saiu do ninho (casa dos pais) é um treino para delimitar melhor aquilo que é seu e que é diferente do outro. É uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre si mesmo, sobre seu jeito, seus gostos, seus desejos, sua organização, seus horários, seus relacionamentos, e lidar com as devidas consequências. Aprender a gerir a casa externa pode ser também uma forma de influenciar uma maior organização na casa interna, a emocional.

Ser adulto é desenvolver uma capacidade reflexiva independente, com opiniões próprias e embasadas. É poder definir seu planejamento de vida, suas metas, sabendo identificar o que é desejo seu e o que é dos outros; sejam estes outros os pais ou os pares. É administrar diretamente todas as áreas que envolvem sua vida.

(…)

Ser adulto é ser livre para ser quem se é e saber o que se quer ser, sem depender tanto da aprovação externa. É ter o eu preservado para poder compartilhá-lo numa relação íntima com alguém.

É ser flexível para lidar com os imprevistos e percalços da vida sabendo que no meio do caminho existem pedras (Carlos Drummond de Andrade).

É identificar as possíveis zonas de conforto pessoais e correr os riscos que existem fora delas.

É respeitar limites, de si mesmo e do próximo.

É aprender a ser autor e protagonista da própria vida.

Mas ser adulto é também saber que não se é perfeito. Que sempre existe mais um pouco a percorrer na trilha do autoconhecimento e do autodesenvolvimento. Que aprender e crescer são para sempre, enquanto viver, e que nunca se está pronto, mas em constante construção.

É ter em mente que o processo de amadurecimento não acontece de forma linear-ascendente, mas sim de forma espiral-ascendente, onde altos e baixos, avanços e recuos, são previstos, mas onde também cada baixo subsequente torna-se mais alto que o anterior, e o amadurecimento, principalmente quando existe um esforço consciente envolvido nessa direção, se torna uma realidade cada vez mais concreta.

Ser adulto é, em última instância, aprender a fazer por si o que os pais fizeram por ele, ou seja, aprender a se cuidar de forma integral e responsável enquanto viver.

O canguru é conhecido por seus grandes pulos. Sair da casa dos pais pode ser um deles, pensando na Geração Canguru. Continuar saltando rumo ao crescimento em cada área da vida é o grande desafio e ao mesmo tempo pode se tornar um grande prazer.

Após concluir o seu desenvolvimento o canguru precisa sair da bolsa da mãe. Da mesma forma, o passarinho precisa sair do ninho cheio, alçando seus próprios voos. Assim é a natureza. Para os pais, é o momento de acreditar que a tarefa da educação e cuidado já foi internalizada e os filhos são agora capazes de saltar ou, quem sabe, voar… sozinhos.”

*trecho extraído do livro “Geração Canguru – Ninho Cheio: o filho adulto morando na casa dos pais” (Mariana G Figueiredo, 2013).

Empatia – Uma competência (não tão) básica para as relações

19 jan

No ano passado, quando ministrava um curso em um órgão aqui em Brasília, um questionamento feito por um dos participantes me surpreendeu. Era o momento em que eu explicava o conceito de empatia, linkando-o com o tema do curso, que envolvia falarmos de relacionamento interpessoal e conflitos.

O participante expressou-se de forma enfática, afirmando que nunca tinha ouvido aquele conceito antes. Ele defendia que empatia era sinônimo de simpatia e que, para ele, seria empática aquela pessoa que fosse simpática, atenciosa, alegre e positiva com o outro. Voltei o questionamento para o restante da turma a fim de checar o que eles sabiam sobre o conceito… e qual não foi a minha surpresa quando os poucos que manifestaram saber definiram-na do mesmo modo que o primeiro participante. Naquele momento paramos um instante o seguimento do curso para atender a demanda que surgia, refletindo sobre o real conceito de empatia e a sua importância nas relações.

Empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar de um outro e compreendermos seus sentimentos, suas motivações, suas ações, seus pontos de vista. Theresa Wiseman, pesquisadora na área da enfermagem, descreve 4 características de uma pessoa empática: ela é hábil em entender a perspectiva dos outros, ela reconhece a perspectiva deles como verdade (não A Verdade), ela não julga e ela reconhece emoção em outras pessoas e comunica isso. Não é fácil. Exige estar consciente na relação e disponível emocionalmente para ela.

Empatia é sentir com as pessoas. Porém, para eu conseguir sentir com o outro o sentimento dele, preciso acessar e reconhecer esse mesmo sentimento dentro de mim. E as vezes não queremos isso, pode ser incômodo… e até doer. Outras vezes, nos colocarmos no lugar do outro e compreendê-lo pode nos levar a abrir mão das nossas verdades sobre aquela situação discutida. O orgulho pode não deixar a empatia fluir.

Atendendo casais em consultório posso perceber o quanto esta competência está em falta e o quanto a sua construção está diretamente relacionada com uma melhora na qualidade das relações conjugais.

Acredito fortemente que as relações ruins podem ser ressignificadas quando a empatia entra. Ela é capaz de gerar conexão real entre as pessoas. É um processo que começa no reconhecer e no querer.

A verdade é que a empatia gera compreensão. Compreensão gera compaixão e enxergarmos o outro como ele verdadeiramente é, além de suas defesas e barreiras. E isto, por sua vez, gera amor.

 

Tudo é uma questão de escolhas?

5 jan

No final do ano passado (novembro, 2015) finalizei em parceria com uma consultoria multinacional mais uma etapa de um programa de desenvolvimento de líderes de uma grande empresa. Foram 10 (dez) meses entre o desenvolvimento e a implantação do programa. Na fase de desenvolvimento, fui a Portugal fazer toda a exploração e estudo de conteúdo junto à equipe de lá.

O programa foi traduzido em 4 (quatro) módulos de treinamento com conteúdos diferentes e em coachings de grupo realizados após os módulos. A execução dos treinamentos foi centralizada em uma cidade no estado de São Paulo em que aconteceram 17 (dezessete) turmas de líderes, das quais eu ministrei 10 (dez). Realizamos os grupos de coaching em nove cidades do Brasil, totalizando 37 grupos. Foram aproximadamente 350 líderes, de coordenadores a diretores, treinados neste ano (apenas nesta empresa!). E sem dúvidas, para mim, muitos ricos aprendizados.

Sou apaixonada pela área de desenvolvimento humano, seja dentro de uma empresa ou dentro de um consultório e hoje minhas escolhas profissionais têm sido nesta direção. Acredito ser essa a minha missão divina na terra: ajudar as pessoas a serem pessoas melhores (profissionais melhores, líderes melhores, pais melhores, filhos melhores, cônjuges melhores, etc). Além disso, sou apaixonada pelo processo de ensino e aprendizagem, principalmente a aprendizagem de adultos, mais conhecida como andragogia. É ela que norteia todos os treinamentos que ministro. Tenho convicção de que trabalhar em parceria com a empresa e gostar do que fazemos são os principais requisitos para o sucesso. Quando gostamos, fazemos inteiramente, de cabeça, corpo e coração. E assim foi o feedback recebido pelos participantes deste programa: sucesso. A nota final do programa obtida nas avaliações de reação foi em torno de 9,6!

Olhando para o ano que passou e fazendo uma breve análise de tudo que realizamos neste projeto, além do sentimento de realização, o que fica mais forte para mim é também o que ficou mais forte para os participantes: tudo é uma questão de escolha. Dentre os mais de 10 (dez) temas que abordamos nos módulos (como por exemplo: autoconhecimento, motivação, gestão de stress, comunicação, trabalho em equipe, gestão de conflitos, coaching, liderança, etc), o tema que mais marcou, quase com unanimidade, foi esse. Através de uma dinâmica poderosa trabalhamos o quanto tudo que fazemos na vida e no trabalho é uma questão de escolhas e assim temos a possibilidade de nos posicionarmos de duas formas: como vítimas (atribuindo culpa ao externo por tudo que acontece conosco) ou como protagonistas (assumindo a responsabilidade pela nossa vida, trazendo o lócus de controle pra dentro de nós).

É neste sentimento e, principalmente, nesta ATITUDE que escolho começar este ano. Os desafios já estão aí… e graças a Deus por eles!

Estando consciente das minhas escolhas, posso continuar influenciando os outros a estarem também das suas.

Prossigamos…

Um feliz, produtivo e abençoado 2016 para todos nós!

 

 

 

 

 

 

Como vai sua carreira?

23 ago

A cada ano que passa tenho percebido o quanto a demanda por coaching de carreira tem aumentado. Aqui em Brasília mesmo, 90% das pessoas que me procuraram neste último ano para fazer coaching tinham como objetivo pensar sobre sua carreira e traçar novos planos. E preocupações comuns e recorrentes nestas pessoas são as interrupções ou desvios de rotas do caminho… Por exemplo o desejo de mudar a área de atuação, o início de uma nova faculdade ou pós que [aparentemente] nada tenha a ver com o trabalho atual, um deslocamento lateral em uma empresa ao invés de uma subida de cargo, uma licença maternidade, o investimento em um tempo de estudo no exterior, a transição de uma carreira executiva para a abertura do negócio próprio, a exoneração de um cargo público para descobrir o que realmente gosta, a demissão de um cargo privado para estudar para concurso. E esses são apenas alguns dos exemplos que tenho ouvido de meus clientes ultimamente.

A raiz dessas pré-ocupações é a crença (consciente ou não) de que a carreira deveria ser algo linear, iniciado no momento da graduação superior e que fosse crescendo de forma ascendente. No entanto, o que se tem observado nos últimos anos é que, de forma geral, para ser bem sucedida, uma carreira não necessariamente precisaria avançar de tal modo que a cada nova etapa precisaríamos estar em um degrau mais alto. O melhor exemplo sobre isso li no livro “Faça Acontecer” da alta executiva do Facebook, Sheryl Sandberg. Ela coloca o quanto o desenvolvimento da carreira hoje pode assemelhar-se mais a um “trepa-trepa” do que a uma “escada”. Na escada, só subimos linearmente. No trepa-trepa, ou seja, naquele brinquedo que costuma ter nos parques, para se chegar ao topo são várias as possibilidades: andar de lado, descer, subir, descer de novo, ir para o outro lado…

A escada seria o modelo de carreira mais comum nas gerações passadas. O trepa-trepa é o modelo que as gerações presentes estão aprendendo a caminhar.

Fazer uma pausa, mudar de rota, retroceder, “voltar a estaca zero” não são necessariamente sinais de fracasso. Pelo contrário, são oportunidades de você adquirir um número maior de experiências variadas e que serão de uma forma ou de outra utilizadas depois. São oportunidades de adquirir mais maturidade, resiliência, ganhar uma convicção maior do que se quer para, então, investir um nível ainda mais alto de energia consciente na sua carreira.

O mais importante nesta caminhada é saber aonde se quer chegar e ter muito claro qual é o conceito de sucesso para você.

Prossigamos…

Fazendo a gestão das mudanças…

14 jun

Faz quase 5 meses que não publico aqui no blog… Alguns amigos me cobrando e eu tentando colocar limites na correria do dia a dia a fim de voltar a priorizar algo de que tanto gosto: parar para escrever. Se bem que ultimamente o que mais tenho feito é escrever… artigos, textos, trabalhos e mais artigos… final de semestre no doutorado é assim… Mas escrever o que vem do coração é diferente…

Amanhã inicio em parceria com o Instituto Mazini mais um programa de desenvolvimento de líderes em uma grande empresa aqui em Brasília. E sendo convidada para iniciar o programa com o tema: “Mudanças Organizacionais”, tenho pensado, lido, relido e pesquisado muito conteúdo a este respeito… E parte dele é o que pretendo compartilhar aqui hoje…

Mudar significa sair da zona de conforto, passar pela zona da tensão e do desconforto e alcançar a zona da oportunidade, onde a mudança é possível. Mudar é aceitar sugestões, que algumas vezes contrariam o nosso ponto de vista. E no dia a dia das empresas, as mudanças têm se tornado cada vez mais necessárias – mas nem sempre aceitas por todos os colaboradores. Dentro de uma organização, uma mudança – seja ela tecnológica, estrutural ou cultural – pode significar oportunidade, processo, crescimento.

Muitas vezes, para os colaboradores, a mudança dentro de uma organização pode representar uma ameaça. Isso porque na maior parte dos casos esses colaboradores não participaram ativamente do processo decisório e da construção da mudança e acabam não a compreendendo completamente.

O papel do gestor ocupa lugar central na gestão das mudanças. O gestor deve saber qual a mudança que precisa efetuar e acreditar nela. Outra característica fundamental é a capacidade de empatia. Compreender as dificuldades reais dos envolvidos e também as inseguranças que uma mudança causa, faz parte do processo de transformação de uma empresa.

A busca do autodesenvolvimento é também foco de discussão entre os grandes tomadores de decisão. Na sociedade atual, autodesenvolvimento assumiu uma grande importância. Ser capaz de conduzir sua própria evolução é uma das competências desejadas para o profissional do século XXI, pois lhe permite responder rapidamente às mudanças tão aceleradas de agora, superando desafios, obtendo sucesso e resultados.

Chamo gestor/gestora de mudança aquelas pessoas que vivem a gestão da mudança em suas vidas e, mais do que isso, são exemplos da mudança que gostariam de ver no mundo. Ter profissionais preparados para atuar com esse foco nas organizações é vital.

Autodesenvolvimento significa ampliar capacidades ou possibilidades, isto é, reconhecer o potencial individual e colocá-lo em prática. Em certo sentido, autodesenvolvimento é a própria mudança.

Reflexões com base em trechos extraídos do livro: “A transição na Gestão de Mudança” (Katia Soares) e do artigo “Mudanças organizacionais” (Harvard Business Review).

A importância das pausas

9 jan

Estamos em uma época do ano em que naturalmente as “pausas” são previstas. É a pausa do trabalho, recessos, férias coletivas, etc. No entanto, nem sempre elas vêm acompanhadas de uma pausa real. São inúmeros os compromissos familiares, viagens, passeios, festas, levando-nos muitas vezes a um estado de agitação que nos impede de parar. Ano após ano, quando retomamos os trabalhos após o período de festas, percebo em meus clientes e pacientes um cansaço pós “pausa”. Cansaço emocional, devido ao grande contato com ambientes fora da rotina e a maior exposição aos relacionamentos e muitas vezes cansaço físico também. Não que este período precise obrigatoriamente ser de uma pausa real, integral. O descanso mental que ocorre entre estes outros cansaços é muito válido e saudável. Porém, é importante que pelo menos uma vez ao ano uma pausa real seja vivenciada. Uma pausa capaz de nos levar a um contato maior com nós mesmos, com nosso propósito de vida, nossos objetivos, capaz de resgatar nossos sonhos e promover uma auto avaliação sobre em que ponto estamos em relação a onde queremos chegar. Repensarmos o que falta para chegar lá e para sermos quem queremos ser. Uma pausa quase meditativa, capaz de trazer gratidão sobre aquilo que temos alcançado, sobre as pessoas que entraram em nossas vidas e sobre aquelas que têm permanecido. Não é à toa que o período sabático tem se tornado cada vez mais popular entre os grandes executivos. Existe um valor no silêncio, na solitude, na meditação, ainda carente de ser explorado. A música só acontece porque nela existe a pausa. Já pensou?
Que este novo ano traga mais momentos de pausas reais, reflexivas e transformadoras, para todos nós que desejamos ser tudo aquilo que podemos ser.

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